Eu tenho pensado em uma
coisa diferente, quase fatídica, dessas que se atribuem às pessoas
em momentos complexos da vida onde o ser humano se depara inteiro com
uma dúvida cruel a respeito do que ser, do you know? Primeiro param
então de pensar em futuros e planejar onomatopeias e criam para si
uma firmeza que tem conexão a maneira que se relacionam com as
outras pessoas e as outras pessoas todas têm uma maneira intensa e
extrema de dizer como vai como vai sem parecerem ridículas ou
passadas. Ao mesmo tempo em que tentam, então, com força
circunstancial não deixarem para muito além do que existe a
atribuição mesmo que davam a coisa divina e celestial, frente a um
processo duro e tenso e rígido em que as mãos se colocam
prematuramente adiantadas ao corpo quente e não conseguem completar
ato nenhum diferente de pedir pedir perdão e socorro.
Há tempos que não era mais, como carne viva, algo capaz de uma atitude catastrófica e
explosiva, dar o chute no planeta, correr feito maluco pelo meio da
avenida, cantar alto pra caralho uma música suja, fazer sexo com um
cara em que se está apaixonado, beber coisa desconhecida, deitar no
meio da ponte e esperar o caminhão, pular da rocha alta em direção
ao lago raso, sair de moto circunspecto pelo escuro rodeado de mato,
fumar maconha na montanha impossível de se alcançar sozinho, raspar
o cabelo no zero e parecer um maníaco do parque, viajar o país todo
em uma kombi feito o sentimentalismo exacerbado e completamente
juvenil que surgia quando se falava de into de wild.
Você que contribuiu, e
não é coisa simples abrir assim a verdade para que não me sinta
tão pressionado, mas você contribuiu para que eu ousasse pensar
diferente, assim. Fatídico, assim. Você contribuiu em minha atitude
de atribuir assim às pessoas essa coisa nova, uma forma mais
complexa e inteira de continuar seguindo seguindo seguindo por entre
as pessoas que cortam os pulsos, têm doenças dificílimas de
compreender, dão passos compridos e dispersos e sem sentido rumo a
qualquer coisa que, em verdade, também não fazem ideia nenhuma do
que é. Você que contribuiu, e não é fácil te dizer a respeito de
contribuições porque há atribulação, há dificuldade, mas você contribuiu para que eu acordasse de um sono fundo e denso em que eu
me encontrava para, num susto, colocar as mãos afora e tentar tocar
essa luz que não condensa e não tem corpo.
Não acredito que exista depois maior do que esse presente em que vivemos e que é complicado a ponto de sufocar os mais frágeis. Não acredito que me tome por apreensão estar apertado em uma caixa de madeira quando chorarem as pessoas que eu amo. Não acredito que vivi de forma tão medíocre por medo de ser ridículo. Não acredito que não cai de bêbado por me sentir envergonhado pelo que falariam depois a respeito da minha alma. Não acredito que não fui o que era por visualizar demais as conversas tristes tristes de uma gente que é, em tudo, desespero. Não acredito que não disse ao outro que sentia um pesar enorme e difícil de engolir por ter o enxergado ir embora, como se vai embora de um restaurante ou de uma festa. Não acredito que acordei todos os dias cedo para ir ao trabalho e não para a praia. Não acredito que não mudei de cidade por medo de morrer de fome, medo de arma de fogo, medo de morrer de medo. Não acredito que ainda cogito não acreditar. Mais que questionar vislumbrar mais que cogitar imaginar ponderar. Eu subsisti. E contra subsistência não há remédio: aceita-se.
Não acredito que exista depois maior do que esse presente em que vivemos e que é complicado a ponto de sufocar os mais frágeis. Não acredito que me tome por apreensão estar apertado em uma caixa de madeira quando chorarem as pessoas que eu amo. Não acredito que vivi de forma tão medíocre por medo de ser ridículo. Não acredito que não cai de bêbado por me sentir envergonhado pelo que falariam depois a respeito da minha alma. Não acredito que não fui o que era por visualizar demais as conversas tristes tristes de uma gente que é, em tudo, desespero. Não acredito que não disse ao outro que sentia um pesar enorme e difícil de engolir por ter o enxergado ir embora, como se vai embora de um restaurante ou de uma festa. Não acredito que acordei todos os dias cedo para ir ao trabalho e não para a praia. Não acredito que não mudei de cidade por medo de morrer de fome, medo de arma de fogo, medo de morrer de medo. Não acredito que ainda cogito não acreditar. Mais que questionar vislumbrar mais que cogitar imaginar ponderar. Eu subsisti. E contra subsistência não há remédio: aceita-se.
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